REGIÃO

Atenção Poetas e Poetizas de Nova Cantu Participe do Concurso Academia Mourãoense de Letras

autor Publicado em 15 de Agosto de 2019

 

Atenção Poetas e Poetizas de Nova Cantu Participe do Concurso Academia Mourãoense de Letras

 

O Concurso de Poesias foi lançado pela Academia Mourãoense de Letras e se encontra com inscrições abertas até a primeira semana de setembro deste ano, 2019.

Como participar?

O tema para as Poesias é livre e podem participar crianças, jovens, adultos e idosos. Haverá premiação para cada uma dessas categorias, de 1º., 2º. 3º. lugares, em dinheiro, troféus e livros de autores regionais. Também haverá prêmio para os Intérpretes das Poesias que poderão ser os próprios autores ou alguém convidado por eles. 

Os autores podem concorrer com até 02 (duas)poesias. 

Como enviar? 

As poesias devem ser assinadas por um pseudônimo do autor e precisam ser enviadas em 06 (seis) vias de cada uma delas. Essas 12 cópias – 06 de cada poesia, devem ser colocadas num envelope fechado que, por sua vez, deve ser colocado num outro envelope, maior, no qual constem seus dados verdadeiros: nome, sobrenome, endereço e pseudônimo que usou na Poesia enviada no envelope interno. 

No externo desse outro envelope, maior, o autor deve colocar:

- O destinatário:                         ACADEMIA MOURÃOENSE DE LETRAS-AML

                                                      CAIXA POSTAL:21

                                                      CAMPO MOURÃO-PR

                                                      CEP:87. 300-970

 

 

- O remetente (real):                  NOME VERDADEIRO  DO  AUTOR   

                                                       ENDEREÇO DO  AUTOR

 

Não se esquecendo de que todos podem e devem participar:alunos, professores, demais profissionais e toda a comunidade escolar e do município em geral.

Esses envelopes devem ser postados no Correio ou entregues diretamente na Recepção da Biblioteca Pública Municipal de Campo Mourão-PR em horário normal de expediente.

 

Após a divulgação e a explicação do Concurso de Poesias da Academia Mourãoense de Letras-AML, passamos à segunda parte, estimuladora da primeira, já que despertou entre todos,um sentimento prazeroso, orgulhoso de pertencer a uma região muito rica, não só econômica, mas também culturalmente, o que eleva os brios e abre a imaginação poética de seus moradores.

Nova Cantu faz parte da história regional, estadual, nacional e universal. Por essa região passaram homens e mulheres de diferentes civilizações e com diferentes propósitos. Nela deixaram vestígios que seguem imemoriais, desde a rica presença dos indígenas que ali viviam muito antes do reconhecimento das terras guairenhas por ÁlvarNuñezCabeza de Vaca (1541). Também pela região de Nova Cantu caminharam em busca de sua Terra Sem Mal- YvyMarãe’y, até o presente, quando as culturas indígenas e não indígenas buscam dialogar.

Nos tempos coloniais, aproximadamente entre os séculos XVI e XVII (provavelmente por volta de 1560 e 1674 aproximadamente), o local onde hoje é o município de Nova Cantu foi berço tradicional de sociedades indígenas, maioria Guarani, mas não só, de comunidade de colonização espanhola (como um ponto de apoio localizado entre onde eram as vilas desde Ontiveros e a Vila Rica de Espírito Santo )e de missões jesuíticas, compartilhadamente. Essas três realidades chegaram a conviver em suas terras por um tempo significativo, que se findou pela vinda dos bandeirantes paulistas na região. Até hoje, no município, além dos vestígios de caminhos indígenas, chamados de Peabiru pelos não indígenas, há vestígios do tambo-local onde se fabricavam utensílios de ferro para os trabalhos dos habitantes do acampamento espanhol e das Missões Jesuíticas. Tais Missões eramlideradas pelo Padre Antônio Ruiz de Montoya, líder espiritual de todas as missões da antiga Província do Guairá. Assim era chamada a região, então pertencente ao reino espanhol (e não português), pelo Tratado de Tordesilhas. Esse período da história cantuense finalizou-se com as Entradas e Bandeiras, especialmente pela passagem dos bandeirantes paulistas, destruindo as missões, as cidades e os acampamentos espanhóis, dizimando os nativos; quando não dizimando,levando-os como escravos para a cultura da cana no Norte brasileiro. Os nativos da terra, quando capturados ou assediados, eram mesmo escravizados, os colonizadoresespanhóis , os bandeirantes procuravam destruir sua cultura, mas eles, os nativos, a mantiveram, até hoje, ressignificada e bastante viva.

Além desses fatos, também o nome do município, em sua raiz indígena, foi abordado por MbeiMbei Tupã, atual líder indígena da região e morador em Campo Mourão, no Tekoha “Verá Tupã’í”. 

Explicou MbeiMbei Tupã, que “Cantu” , cuja escrita vem nos mapas desde o século XVII-acrescentamos nós-, é corruptela de “Ikatu” na língua Guarani. E“Ikatu” significa lugar de amplo esplendor, celestial, divino. Campo aberto, imensidão, como me acrescentou Verá Tupã, um vozinho Guarani. Esse nome, “Ikatu”, com o passar dos tempos e por adaptação do Guarani ao Português, sofreu corruptela epassou a ser pronunciado e a se escrever “Cantu”. 

Cantu é nome de rio: o rio Cantu. Rio que nasce em Santa Maria do Oeste, na região de Pitanga, deságua no rio Piquiri e forma importante bacia, banhando este município de Nova Cantu.

Muitas outras histórias foram reveladas sobre a cultura indígena na região, sobre o Caminho de Peabiru que, para os indígenas é um caminho sagrado, não comercial e leva outro nome. É o caminho que leva à Terra Sem Mal. Jaxy e MbeíMbeí Tupã falaram de suas crenças, seus usos e costumes, sobre o processo de contato conosco, não indígenas, nossa convivência moderna e sobre o tekoha (aldeia) deles em Campo Mourão.

Chamou a atenção o interesse dos jovens sobre a cultura indígena, aproximando, tal abertura, as duas culturas e desvelando- até mesmo descontruindo-narrativas de senso comum ainda tão recorrentes até mesmo em livros didáticos. Foi um momento importante para o reconhecimento dessa cultura como alicerce da sociedade atual, dando-lhe visibilidade. Apresentamo-nos- não indígenas e indígenas, uns aos outros. Nossa sociedade é diversa, plural. Indígena é presente e não passado, não quer ser aculturado, mantém sua língua, sua crença, costumes , respeita a diferença e deseja ser respeitado. A Constituição que temos, democrática e moderna,assegura essa condição multicultural e multilíngue de nossa sociedade, preserva os direitos e  a territorialidade indígena, especialmente em seu Artigo 231.

Enfim, momentos mágicos foram vivenciados, de muito conhecimento,principalmente pela atitude acolhedora e instigadora comunidade cantuense, ficando o desejo manifesto, tanto de indígenas como de nós, não indígenas,  de que esse diálogo intercultural, tão enriquecedor e democrático, possa continuar.

E ainda o desejo de que, mais uma vez, a comunidade de Nova Cantu seja premiada regionalmente por seus talentos, agora e mais uma vez, literários, pelo Concurso de Poesias da Academia Mourãoense de Letras de Campo Mourão!!!

 

Fonte: Novo Cantu

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