PARANÁ

75% da área de milho estão em boas condições na Comcam, aponta Deral

autor Publicado em 10 de Março de 2019

 

75% da área de milho estão em boas condições na Comcam, aponta Deral

 

Apesar de as chuvas estarem abaixo da média na Comcam, grande parte das lavouras de milho safrinha, cultura predominante para a época, está em boas condições de desenvolvimento. De acordo com dados repassados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), núcleo de Campo Mourão, 75% da área estão em boas condições e 25% em médias.

A falta de chuva nas últimas semanas afetou algumas áreas localizadas prejudicando o potencial produtivo da cultura. Os danos mais significativos foram registrados nas regiões de Araruna, Peabiru, e Terra Boa. “Ficou um período de cerca de 30 dias sem chuvas e isso comprometeu parcialmente algumas áreas de milho. Por outro lado, em algumas regiões como Mamborê, Boa Esperança e Ubiratã, não tivemos problemas com relação à falta de umidade”, comentou o engenheiro agrônomo, Edilson de Souza e Silva, do Deral de Campo Mourão.

De acordo com o engenheiro agrônomo, no geral o desenvolvimento da cultura está bom, com algumas áreas inclusive já colhidas com boa produtividade. “Todos os anos o produtor vai enfrentar algum problema que vai afetar a produção, seja por condições climáticas, tecnologia usada ou problema de solo. Dificilmente a produtividade se mantem igual em todas as áreas”, falou. A áreas já colhidas são em Ubiratã e Juranda.

Silva informou que 55% da cultura se encontra na fase de maturação, 40% frutificação e 5% florescimento. De acordo com ele, o milho ainda precisa de um clima equilibrado para chegar ao final do seu ciclo sem ter a produtividade prejudicada.

O preço da saca cereal de 60 quilos está cotada a R$ 25,00 na região. Silva avalia que o valor ‘não deixa de ser bom. “É considerado até certo ponto satisfatório. Para quem tiver os custos menos elevados a margem de satisfação será maior”, argumentou.

Área - A safra 2018/2019 de milho safrinha na Comcam teve um crescimento de 3% ante a safra 2017/2018. No ano passado a área com a cultura foi de 326 mil hectares (há) enquanto este ano é de 335,5 mil há. O volume de produção projetado é de 1,9 milhão de toneladas contra 1,7 milhão em 2018.

Conforme o Deral, o aumento da área de milho safrinha está relacionado a questões de mercado, preços atuais, condições climáticas, entre outros fatores consideráveis para determinar da safra. O crescimento está atrelado também à falta de mais opções de culturas de inverno. Na região, o milho disputa espaço com o trigo e aveia. A aveia geralmente é utilizada apenas para cobertura da terra ou sementes, já o trigo, não se torna atrativo aos produtores devido as dificuldades de comercialização. “Há anos o trigo tem um histórico ruim de comercialização fazendo com que muitos produtores optem pelo milho mesmo não tendo preços tão atrativos”, explicou Silva.

No Paraná, são boas as condições para a segunda safra de milho. Conforme o Deral, a área total estimada é de 2,2 milhões de hectares. A expectativa de produção é de 12,7 milhões de toneladas de milho, um aumento de quase 40% em relação a safra em igual período do ano passado, quando o volume colhido atingiu 9,1 milhões de toneladas.

Os produtores de milho, principalmente aqueles localizados na região Oeste do Estado, têm um novo inimigo à vista. A estria bacteriana do milho, doença causada pela bactéria Xanthomonas vasicola pv. vasculorum, foi identificada oficialmente pela primeira vez no Paraná em 2018. Porém, relatos de produtores e técnicos indicam a presença desde 2017.

Esse ano, a doença já ocorreu na primeira e na segunda safras do grão. De acordo com o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Rui Pereira Leite, produtores e técnicos da região Oeste do Paraná relataram que a bactéria está mais severa e ocorrendo em maiores áreas. “Como é uma doença recente, não temos muitas informações. Mas alguns estudos apontam que pode reduzir até 50% a produção em alguns híbridos de milho”, aponta.

A transmissão da bactéria ocorre de diversas formas. “Quando infecta a planta, a bactéria causa lesões nas folhas, e quando ocorre a exsudação vem para fora da planta. Desta forma, as partículas podem ser carregadas pelo vento, ou, quando chove, as gotículas de água carregam a bactéria para outras partes da planta e para outras plantas”, explica o pesquisador do Iapar.

O agente da doença foi registrado pela primeira vez na África do Sul em 1949, mas, recentemente, houve manifestações da enfermidade em lavouras dos Estados Unidos e da vizinha Argentina. “Ainda não se sabe, com certeza, de onde veio a doença que está ocorrendo no Paraná. Mas em 2017 a bactéria foi registrada em várias províncias da Argentina, e em 2016 constatada nos Estados Unidos, onde foi relatado que houve danos severos no Meio-Oeste americano, principalmente em áreas com milho irrigado”, observa Leite.

Segundo o pesquisador, em áreas onde o problema já ocorreu, a bactéria pode sobreviver em restos de plantas. “Então, onde se faz milho após milho numa área que já teve a doença, existe um grande risco de as plantas serem infectadas logo que comecem a crescer”, observa.

Os sintomas da doença incluem formação de pequenas pontuações (entre dois e três milímetros) nas folhas, que posteriormente evoluem para lesões alongadas e estreitas, circundadas por uma mancha amarelada. Ainda, as bordas das lesões são onduladas, o que diferencia esta doença de sintomas semelhantes causados pela cercospiriose, uma doença fúngica.

Prevenção - De acordo com o pesquisador do Iapar, diversos cuidados devem ser adotados para manter a estria bacteriana do milho o mais longe possível. A utilização de sementes de boa qualidade e procedência comprovada é a primeira, uma vez que existem indícios de que a doença pode ser transmitida pelas sementes. A utilização de híbridos mais resistentes também é recomendada. Leite também ressalta incorporar os restos de cultura ao solo e fazer a rotação de cultura.

“Mas não com plantas que sejam suscetíveis [à doença]. Estamos fazendo estudos para verificar se plantas forrageiras podem ser hospedeiras. Já sabemos que pode ocorrer em aveia e arroz, mas não em leguminosas, como a soja, por exemplo”, explica.

 

 

 

Fonte: Tribuna do Interior

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