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Papa declara pena de morte inadmissível em todos os casos

autor Publicado em 02 de Agosto de 2018

 

Francisco aprova nova versão do Catecismo, que afirma que pena capital

Papa declara pena de morte inadmissível em todos os casos

 

O papa Francisco aprovou nesta quinta-feira (02/08) uma modificação do Catecismo para declarar a pena de morte inadmissível em todos os casos, por ferir a dignidade humana.

O novo texto do Catecismo, livro doutrinal que reúne as bases do Catolicismo, diz que "a Igreja mostra, à luz do Evangelho, que a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa, e se compromete com determinação para sua abolição no mundo todo".

"Durante muito tempo o recurso à pena de morte por parte da autoridade legítima, depois de um devido processo, foi considerado uma resposta apropriada à gravidade de alguns crimes e um meio admissível, embora extremo, para a tutela do bem comum", aponta o texto.

Na versão antiga do Catecismo não se excluía a pena de morte "se esta fosse o único caminho possível para defender eficazmente as vidas humanas do agressor injusto".

Numa carta explicando a mudança, o cardeal Luis Ladaria, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, afirmou que hoje há mais consciência de que a dignidade não pode ser perdida, mesmo se a pessoa cometer os mais graves crimes.

Ladaria afirmou que a mudança aprovada pelo papa tem como objetivo impulsionar o movimento contrário à pena de morte e encorajar a criação de condições que permitam sua eliminação onde ela ainda está em efeito.

Hoje com 1,2 bilhão de membros, a Igreja Católica permitiu a pena de morte em casos extremos durante séculos, mas o posicionamento da instituição começou a mudar durante o pontificado de João Paulo 2º, encerrado com sua morte, em 2005. O papa Francisco já havia afirmado anteriormente que a pena de morte nunca é justificável.

A Anistia Internacional, que luta pelos direitos humanos, saudou a nova versão do Catecismo como "um importante passo adiante". A mudança, no entanto, deve enfrentar oposição de católicos em países como os Estados Unidos, onde muitos membros da Igreja apoiam a pena de morte.

A prática foi abolida na maior parte da Europa e na América do Sul, mas ainda está em vigor numa série de países de Ásia, África e Oriente Médio, além dos EUA. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, também afirmou nesta semana que seu país pode em breve reinstaurar a pena de morte, abolida em 2004 como parte dos esforços de ingresso na União Europeia (UE).

 

Fonte: Deutsche Welle

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