BRASIL

Jânio de Freitas: gravações ligam Rocha Loures, corrupção em Santos e Temer

autor Publicado em 11 de Janeiro de 2018

 

Jânio de Freitas: gravações ligam Rocha Loures, corrupção em Santos e Temer

 

O colunista Jânio de Freitas, da Folha de S.Paulo, fez um texto sobre as gravações telefônicas de Rodrigo Rocha Loures e as tentativas do governo Temer de blindagem. A coluna trata sobre a corrupção no porto de Santos, tema de reportagens especiais do DCM feitas pelo jornalista Marcelo Auler.

Há 54 motivos para considerar que se passam impropriedades camufladas no inquérito sobre o decreto de Michel Temer que beneficiou sobretudo a Rodrimar, entre empresas de serviços portuários, em razão das quais era “o deputado do porto de Santos”. Assinado em maio de 2017, o decreto aumentou de 25 para 35 anos, prorrogáveis até 70 anos, a concessão de áreas portuárias para exploração particular. Um maná. Sem qualquer causa convincente para o privilégio.

Os motivos da série de estranhezas começam pela substituição do diretor da Polícia Federal, incumbida de investigar as suspeitas e denúncias surgidas com o decreto. Nem tanto como a troca se deu, no final do ano passado, repentina e sem a participação do ministro da Justiça. Mas o novo diretor Fernando Segovia mostrou logo um interesse particular pelo inquérito, com providências quase imediatas.

 

Uma delas, a também repentina substituição do delegado responsável pelo inquérito. Sem razão publicamente conhecida e sem qualquer explicação ao público. Nomeado por Temer, com boa dose de pesar dentro da PF, e por ele festejado na posse, Segovia não faz crer que desejasse um delegado e um inquérito mais eficazes, contra a conveniência do seu patrono.

O terceiro motivo é a presença, nas tratativas para o decreto, de Rodrigo Rocha Loures. Sim, aquele assessor de Temer filmado pela PF ao receber uma mala com R$ 500 mil. Gravações telefônicas ligam Loures, empresas portuárias, o teor do decreto e a Presidência. 

Agora, de uma só vez, 50 motivos -sob as formas de 50 perguntas feitas a Temer pela PF no começo do mês. Relator do caso no Supremo, o ministro Luís Roberto Barroso deu 15 dias para as respostas, até o próximo 19. Mas se desse um só, não seria exigente.

As perguntas, que não temem o ridículo, prestam-se a uma certeza: foram feitas para outro propósito que não o esclarecimento policial e judicial. Perguntar a Temer se recebeu pagamento pelo decreto dos portos, se havia o “por fora” de caixa dois em sua campanha, se seus amigos-assessores levaram dinheiro para obter decisões de governo -perguntas assim não querem saber, querem aparência. Mas dizem alguma coisa sobre a substituição de comando do inquérito policial e ainda do diretor da PF, no final de 2017.

Por fim, o 54º motivo para impropriedades insinuadas no andar e no desandar do inquérito: se levada a fundo, essa investigação pode desvendar coisas muito graves e influentes em diversos sentidos. 

 

Fonte: DCM

Avalie esta matéria:
Total de Voto(s): 0 - Média de Voto(s): 0

 

 

Mais FM