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Ex-coroinha acusa padre de estuprá-lo: 'Dizia que Deus concordava

autor Publicado em 16 de Outubro de 2019

 

Ex-coroinha acusa padre de estuprá-lo: 'Dizia que Deus concordava

 

Um jovem de 22 anos relata ter sido estuprado por um padre da igreja que frequentava quando era adolescente em Guarujá, no litoral de São Paulo. Em entrevista ao G1 nesta terça-feira (15), o estudante Lucas Grudzien afirmou que os abusos sexuais ocorreram quando ele tinha apenas 15 anos e se estenderam por mais de um ano. A defesa do padre nega as acusações.

 

                                        

Estudante de engenharia, ele, que sonhava em ser padre, conta que a família é católica e que frequentava a igreja desde pequeno. "Fui batizado ainda bebê, com nove anos fiz a primeira comunhão e aos 12 anos comecei a fazer o curso para ser coroinha. Essa foi a época em que o padre Felipe se formou e passou a atuar na paróquia que eu frequentava, a Paróquia Senhor Bom Jesus", diz.

                                        

Em maio de 2012, Lucas relata que o padre foi até sua casa e o chamou para trabalhar com ele na secretaria da paróquia. Os pais, que confiavam no religioso, autorizaram o filho a exercer a função e, em maio, ele passou a trabalhar organizando a documentação da igreja, e, segundo ele, passando mais tempo próximo do Padre Edson Felipe Monteiro Gonzalez.

                                        

"Antes disso, eu já servia com ele no altar, mas ele nunca tinha feito nada, apenas algumas perguntas sobre a minha intimidade. Mas, com o tempo, ele começou com uma aproximação maior. Me perguntava se eu já tinha beijado alguém e falava que eu deveria experimentar ficar com menino também. Só que como ele era padre, nunca me passou pela cabeça que ele faria algo comigo".

Estupros

                                        

Lucas afirma que, ao completar 15 anos, o padre pediu para ele trabalhar até mais tarde. Segundo o jovem, mesmo afirmando ter que ir para escola, o religioso pediu autorização para sua mãe, para que o deixasse ficar um pouco mais naquele dia.

                                        

"Ele me chamou para assistir um filme com ele. Eu fui. Ele pediu para eu me sentar ao lado dele, momento que colocou a minha cabeça no colo dele e começou a passar a mão pelo meu corpo, acariciando. Fiquei muito assustado, não sabia o que fazer".

                                        

De acordo com o estudante, após esse dia, a situação passou a se repetir e o padre chegou a estuprá-lo diversas vezes, de agosto de 2012, até dezembro de 2013. "Eu estava muito perdido, eu vinha para casa e quando tomava banho, via que minha cueca estava suja de sangue. Queria poder apagar tudo isso. Me sentia um lixo. É horrível", desabafa.

                                        

Durante esse tempo, o jovem afirma que passou a tirar notas baixas, ficar agressivo e depressivo, mas tinha receio de contar o que acontecia. "Sempre que acabava o ato ele dizia que Deus sabia o que estava acontecendo e que concordava. Ele também falava que ninguém podia saber disso. Cheguei a tentar me matar", destaca.

Medo

                                        

Ainda segundo Lucas, o padre o orientava a apagar todas as conversas deles pelas redes sociais. Mas, uma das vezes, ele esqueceu. O pai acabou vendo e o questionou sobre o que estava ocorrendo. Foi quando ele fugiu de casa. "O padre me deu carona e me deu R$100", conta.

                                        

"Nesse tempo fiquei na minha tia e ela leu uma passagem bíblica: 'Conhecereis a verdade e ela os libertará', foi quando voltei para casa e contei tudo aos meus pais. No outro dia, ele foi no Ministério Público e o denunciou", relata.

                                        

De acordo com ele, como os pais sempre foram muito religiosos, foi muito "dolorido" saber da situação e todos da igreja ficaram contra sua família. "Um inquérito criminal foi arquivado, porque pela idade não considera-se mais estupro de vulnerável. Em 2014, em conversa com o então vigário, ele disse para os meus pais tomarem cuidado, se não eu seria conhecido como 'comida de padre'. Mas as advogadas estão entrando com mais uma ação cível de reparação contra a igreja".

                                        

"Até hoje ainda me culpo e acho que eu poderia ter feito algo. Me lembro e ainda choro. Eu só podia chamar ele de senhor e padre, até quando me estuprava. Ele mantinha clara essa hierarquia. De 2013, ele permaneceu até 2016 na mesma paróquia. Agora transferiram ele de função e o salário até aumentou. Ele destruiu minha vida e continua seguindo a dele normalmente", finaliza.

 

Fonte: G1 PR

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